domingo, 18 de março de 2012

Vida cultural de Frei Paulo


Nos anos 70, uma plêiade de jovens artistas, entusiastas da cultura popular, encantava as platéias com suas maravilhosas apresentações. Frei Paulo era naquela época umas das poucas cidades do interior sergipano a possuir vida cultural. A sociedade freipauistana com orgulho apoiava e não perdia um espetáculo, todos davam casa cheia, e era comum ver homens e mulheres chorando emocionados ou soltando estrondosas gargalhadas com as estórias ali tão bem representadas pelos talentosos atores. Nesta foto a representação da peça "O pai humilhado" de Paul Claudel que aconteceu nos dias 3 e 4 de novembro de 1973, no Cine São Jorge.
Eram dias e dias de exaustivos ensaios, até as belas apresentações para o público, esses ensaios eram no palco do Educandário Imaculada Conceição, mas as apresentações eram no cinema da cidade que contava com um grande auditório e palco. Caprichavam em tudo, no cenário e no figurino e principalmente na interpretação de cada personagem. Era tudo impecável. Ao término das representações, aplausos em pé para toda a equipe, comandada por Unaldo Sena, que fazia com muita competência a direção dos espetáculos.
Meu irmão Carlos Alberto Andrade Bastos era sempre o ator principal, sua atuação era simplesmente espetacular, mesmo antes de iniciar a peça havia algumas atrações preliminares e ele também participava , tem uma que não dá para esquecer. Sua interpretação superaria muitos atores globais. Estou falando de quando declamava com inusitada inspiração o belíssimo poema “Marília de Dirceu” de Tomaz Antônio Gonzaga:
“Eu, Marília, não sou algum vaqueiro,
Que viva de guardar alheio gado;
De tosco trato, d’ expressões grosseiro,
Dos frios gelos, e dos sóis queimado.
Tenho próprio casal, e nele assisto;
Dá-me vinho, legume, fruta, azeite;
Das brancas ovelhinhas tiro o leite,
E mais as finas lãs, de que me visto.
Graças, Marília bela,
Graças à minha Estrela!”
Emoções choro, contentamento e muitos aplausos de uma platéia embevecida com a virtuosidade dos filhos da terra, orgulho que era expresso em longos aplausos e emoções. Foram muitas e muitas apresentações e o grupo passou também a se apresentar nas cidades vizinhas, em Carira, Ribeirópoles, Itabaiana... Aonde o grupo teatral de Frei Paulo chegava, era recebido com o mesmo entusiasmo. A equipe possuía nomes de peso entre seus integrantes destacamos a sanfoneira Geonice, esposa de Pedro de Elpídio que fazia a sonoplastia com muita competência e originalidade.
Entre as peças apresentadas pelo grupo destacamos “O Santo e a Porca” de Ariano Suassuna , uma comédia muito boa que levava alegria e entretenimento aos freipaulistanos. A peça É uma comédia em três atos. Aproxima-se da literatura de cordel e dos folguedos populares do Nordeste. Na trama, Suassuna narra a história de um velho avarento conhecido por Euricão Árabe. Ele é devoto de Santo Antônio e esconde em sua casa uma porca cheia de dinheiro. Muito divertida, a história mistura o religioso e o profano.
Outros trabalhos foram montados pelo grupo, obtendo sucesso, entre os atores destacamos Luis de Donozor, Edvaldo Matos, Melquíria, Jujú, Zazá, minha irmã Heleuza entre muitos outros. Foi um tempo de intensa satisfação para todos, tempo que infelizmente não volta mais.

2 comentários:

  1. parabéns pelo texto amigo que conta a história da nossa pequena são paulo

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    1. Grato Rodeval pela sua participação neste post.
      Carlos Magno

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